Android x iOS: Edição 2015

Já se passaram sete anos e o grande debate iOS vs Android continua — tanto em fóruns de internet quanto na vida real. Mas essas duas plataformas mudaram bastante ao longo dos últimos anos. Os antigos argumentos usados para defender ou atacar elas ainda são válidos? Quais recursos separam o iOS 8.3 do Android 5.1 Lollipop? Usamos um Nexus 6 e um iPhone 6 para investigar.

Algumas coisas atualmente são aceitas por todos: o iOS é um software da Apple, e ou você aceita isso ou vai atrás de outro smartphone. Em contraste, o Android permite que você mude o app do discador ou de SMS, tem suporte a widgets na tela inicial e permite até a instalação de launchers alternativos se você quiser. Essa é a principal diferença e usuários já sabem muito bem disso.

A segunda grande diferença é que os apps do Google vivem tranquilamente no iOS, enquanto programas da Apple não são encontrados no Android. E isso não se aplica apenas a apps: transferir seus emails, contatos, músicas, filmes, fotos e documentos do Android para o iOS é muito mais fácil do que do iOS para o Android. Novamente, é um contraste bastante conhecido entre as duas plataformas — vamos nos aprofundar para saber o que mais há de diferente entre os dois sistemas em 2015.

Interface e notificações

As linhas limpas e fortes do iOS 8 devem muito ao iOS 7, que foi quando a Apple trouxe seu sistema operacional para a era moderna. O colorido Material Design do Google, no entanto, foi introduzido junto com o Android 5.0, e quer unificar a experiência visual ao redor de todos os seus apps ao mesmo tempo que age como um guia para seus olhos.

Ambos são fáceis de entender — se você se acostumar com um deles, provavelmente não vai se importar muito com o outro. No geral, o sistema móvel da Apple é mais refinado esteticamente, mas o do Google causa um impacto visual maior. Ambos possuem um design belíssimo, cada um da sua maneira.

No geral, as notificações funcionam da mesma forma, independentemente de qual plataforma você estiver usando, e as diferenças que ainda existem são pequenas e sutis: o software da Apple ainda permite definir estilos de notificação para cada app, enquanto o Google torna mais fácil limpar e responder aos alertas a partir da bandeja de notificações.

Com o novo modo prioritário do Lollipop, finalmente o Android ganhou algo para competir com o Não Perturbe do iOS, mas ambas as implementações podem ser um pouco difíceis de se configurar em um primeiro momento.

E então temos o botão voltar, um recurso obrigatório para veteranos do Android e uma irrelevância confusa para qualquer um acostumado com o iOS. Essa é uma daquelas diferenças entre iOS e Android na qual não há certo ou errado — depende muito de como você está acostumado a usar o sistema.

Siri contra Google Now dá uma briga interessante. A Siri é mais forte no controle por voz — enviar informações com a sua voz e usar seu smartphone sem as mãos. O Google Now também tem comandos por voz, mas o foco principal está em jogar informações que ele pensa que serão necessárias para você com base nos seus emails, histórico de busca, viagens recentes e assim por diante.

Já falamos um pouco sobre customização, a forma como você pode redesenhar o Android pixel a pixel se quiser — não há como fazer nada parecido no iPhone. O compartilhamento entre apps é bastante diferente também: o Android permite compartilhar praticamente qualquer arquivo através de qualquer app, enquanto o iOS até se abriu um pouco para isso, mas continua muito distante daquilo que o Google oferece.

Apps e ecossistema

Tanto a Apple quanto o Google oferecem um bom pacote de apps nativos para você começar a usar seu smartphone, mas também é possível encontrar todos os apps do Google no iOS, enquanto não há nada da Apple no Android. Com o Hangouts, o Google conseguiu estabelecer seu sistema de mensagens que funciona praticamente em todos os lugares, mas iMessage e FaceTime são apps um pouco mais polidos.

Uma comparação direta entre um cada app renderia uma série de artigos, então vamos resumir dizendo que na maior parte das áreas — emails, mapas, contatos, ligações — tanto o iOS quanto o Android possuem as ferramentas que você vai precisar. É possível dizer que o email do Google é mais inovador, com Gmail e Inbox, mas o Apple Mail não é de se descartar.

Falando em apps de terceiros, os principais serviços estão em ambas as plataformas. Em relação a lançamentos, no entanto, o iOS costuma ter alguma vantagem, com o Periscope e o Meerkat sendo dois bons exemplos recentes — se você quiser se juntar à revolução do live-streaming, então você precisa ter um iPhone.

Ambos vão ser lançados no Android (o Meerkat já está em fase beta), mas ainda há algum atraso. Pelo outro lado, o Google frequentemente oferece alguns lançamentos de apps menores (como o Field Trip e o Google Keep) no Android primeiro, assim como costuma lançar as maiores atualizações primeiro na sua plataforma, para só depois levar as novidades ao iOS.

Apps de terceiros sempre foram uma das forças no iOS, e isso se mantém em 2015. O iPhone chegou antes com a App Store e é mais fácil de programar (com menos dispositivos e fragmentação menor). O Android é bastante superior a outras plataformas como o Windows Phone, mas ainda não está no mesmo patamar do iOS.

As permissões de apps são feitas de maneira diferente — no Android, é uma decisão tudo ou nada que você faz assim que instala o app; no iOS, as permissões como uso de localização e câmera são feitas uma a uma, e você pode mudá-las a qualquer momento.

Estabilidade, segurança e desempenho

O Touch ID é uma grande vantagem do iOS e melhorou bastante a experiência de desbloquear o telefone e autorizar uma compra. Vários serviços tentam oferecer o mesmo no Android, mas sem muito sucesso — a Samsung é a única fabricante que colocou sensor de impressões digitais em dispositivos Android de maneira regular e consistente até agora.

Com o Android Lollipop agora você tem a possibilidade de definir áreas e até dispositivos (como um speaker Bluetooth) “confiáveis” com os quais o código PIN é automaticamente desativado, possibilitando uma configuração de segurança mais customizável e flexível. O Lollipop finalmente se juntou ao iOS ao oferecer um dispositivo completamente criptografado por padrão (nos dispositivos Nexus, ao menos — não é obrigatório em outros aparelhos).

A segurança dos apps costuma ser um quesito bastante discutido. Não há dúvidas de que o Android não é tão fechado quanto o iOS, e, assim, é mais fácil instalar softwares não-autorizados no dispositivo. Dito isso, se você se mantiver fiel à Google Play Store, os riscos são mínimos — no mês passado o Google confirmou que todos os apps são revisados por uma equipe antes de serem aprovados, e todos também são escaneados em busca de possíveis riscos de segurança.

Em relação à estabilidade e desempenho, as coisas ficam um pouco mais complicadas devido à enorme variedade de dispositivos Android e iPhones antigos no mercado. Os dados mais recentes do Critterism apontam para uma taxa de falha de 2,26% no iOS 8 e 2,2% no Android 5.0 — há um equilíbrio, mas vale lembrar que tanto o iOS quanto o Android rodam muito bem em dispositivos com hardware de ponta e são mais suscetíveis a engasgadas e travadas em dispositivos mais velhos.

Considerando todos esses fatores, o iOS ganha no departamento de segurança, mas não por muito. Em partes, podemos dizer que os riscos de malwares e instabilidades são o preço pago por usuários para ter mais flexibilidade e customização no Android.

Além do sistema móvel

Existem muitas outras coisas que poderíamos abordar, como Apple Health x Google Fit, Apple Pay x Google Wallet, Android Auto x CarPlay. Mas, para terminarmos esse artigo antes do iOS 9 e o Android 6 serem lançados, vamos estabelecer alguns limites.

Filmes e música parecem ser boas áreas para se analisar: o Android não tem um software de gerenciamento para desktop como a Apple tem o iTunes. Usuários do Android podem usar o Play Music e o Play Movies, e mesmo que esses apps estejam melhorando bastante, eles ainda não oferecem o mesmo tipo de controle nem a mesma diversidade de conteúdo do iTunes.

O foco do Google na nuvem não é tão útil na hora de gerenciar a própria biblioteca de mídia como é com email e documentos. Não significa que você não consiga cultivar uma biblioteca de canções, programas de TV e filmes no Android, só que não consegue fazer da mesma forma como no iOS. Por outro lado, o que você comprar na loja da Apple não funciona no Android; enquanto o conteúdo do Google pode ser levado para outros sistemas.

Para finalizar, parece injusto mencionar isso em um artigo de comparação de software, mas a câmera do iPhone é muito superior às dos dispositivos com Android há anos — em velocidade, qualidade, em basicamente todas as partes que mais importam. A Apple está bem à frente dos concorrentes por aqui, mesmo que não seja necessariamente culpa do hardware do Android.

Resumo

Quase duas mil palavras depois, de certa forma mal conseguimos arranhar a superfície da disputa entre Android e iOS — é um indicativo de como os sistemas operacionais de smartphones se expandiram em escopo e influência, e como os celulares atuais são versáteis.

Leia diversas comparações entre Android e iOS pela web e você perceberá que na maior parte das vezes as diferenças estão em coisas pequenas: o posicionamento de um botão, ou a forma como um recurso específico é feito, ou alguma coisa relacionada a um app ou outro.

No geral, Apple e Google têm ideias diferentes da forma como o software, hardware, a web, os dados dos usuários e a privacidade devem ser levados em conta. De algumas formas, iOS e Android são muito parecidos, mas de muitas outras eles são totalmente diferentes.

Conforme Apple e Google vão pegando recursos emprestados um do outro, e esses sistemas móveis vão ficando mais maduros, escolher entre eles se tornou menos uma questão de comparar recursos e mais sobre tudo o que há além de iOS e Android — em 2015 isso significa escolher um ecossistema, escolher em quem você vai confiar seus dados, e escolher como você quer viver sua vida digital através de smartphones, computadores e da web. [Gizmodo]

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