WhatsApp começa a compartilhar dados com Facebook

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O Facebook comprou o WhatsApp por US$ 19 bilhões há dois anos, e só agora está mudando seus termos de serviço – era algo inevitável. Isso significa que você poderá se comunicar com empresas através do app, e que algumas informações serão compartilhadas com a rede social.

Como isso vai funcionar, exatamente? Nós analisamos as versões antiga e nova dos termos de serviço e da política de privacidade, e listamos abaixo as principais mudanças – e também o que não mudou.

O que não mudou

Mudanças na política de privacidade nunca inspiram muita confiança, especialmente vindas do Facebook. Por isso é importante ressaltar que a forma como o WhatsApp funciona permanece basicamente a mesma: as mensagens não ficam nos servidores, e são apagadas assim que forem entregues ao destinatário.

O trecho abaixo tem o mesmo teor da antiga política de privacidade, de 2012, anterior à aquisição do Facebook:

Não guardamos suas mensagens durante a prestação dos Serviços. Depois que suas mensagens (incluindo conversas, fotos, vídeos, mensagens de voz e compartilhamento de informações de localização) são entregues, elas são excluídas de nossos servidores. Suas mensagens ficam armazenadas em seu próprio dispositivo.

Se uma mensagem não puder ser entregue imediatamente (por exemplo, se você estiver desconectado), podemos mantê-la em nossos servidores por até 30 (trinta) dias enquanto tentamos entregá-la. Se a mensagem não puder ser entregue nesses 30 (trinta) dias, nós a excluiremos.

Para melhorar o desempenho e entregar mensagens com mídia de maneira mais eficaz, por exemplo, quando há o compartilhamento de fotos ou vídeos populares, podemos guardar esse conteúdo em nossos servidores por mais tempo.

O WhatsApp ainda guarda metadados, ou seja, quando cada mensagem foi enviada ou recebida, e os contatos envolvidos nessa troca. “Isso inclui informações sobre suas atividades (por exemplo, como nossos Serviços são usados, como é sua interação com outros usuários durante a utilização de nossos Serviços”, dizem os novos termos. Isso não envolve o conteúdo das mensagens.

E, assim como antes, o WhatsApp se reserva ao direito de “coletar, usar, reter e compartilhar dados” para cumprir a lei, ou para investigar possíveis violações de serviço, atividades fraudulentas e ilícitas, ou questões de segurança – algo que também não envolve o conteúdo das mensagens. Mas quais são esses dados? Bem, aí entramos no que mudou…

O WhatsApp talvez colete mais dados sobre você

A antiga política de privacidade tinha uma seção específica chamada “Informações Que O WhatsApp Não Coleta”: isso incluía nomes, e-mails, endereços e outras informações da agenda de contatos que não fossem números de celular; e dados de localização.

Na nova política de privacidade, essa seção não existe mais. Não há nenhuma restrição quanto aos dados que o WhatsApp recolhe de seus contatos: em tese, nada impede que o serviço colete endereços de e-mail, nomes, entre outros.

Além disso, o WhatsApp também poderá obter seu local: “coletamos dados sobre a localização do dispositivo caso você utilize os recursos de localização, tais como quando você decide compartilhar sua localização com seus contatos, ou conferir locais próximos a você”.

Antes, a política dizia: “não coletamos dados de localização, mas os usuários podem compartilhar voluntariamente seu local com outros usuários”.

Algumas informações poderão ser compartilhadas com o Facebook – mas não suas mensagens

A nova política de privacidade explica que suas mensagens do WhatsApp não serão compartilhadas com o Facebook. Um FAQ sobre as mudanças também ressalta isso:

Nada do que você compartilhe no WhatsApp, incluindo suas mensagens, imagens e dados de conta será compartilhado no Facebook ou em qualquer outro app da família do Facebook para que outros vejam… Além disso, quando você e seus contatos utilizarem a versão mais recente do aplicativo, suas mensagens serão criptografadas de ponta-a-ponta por padrão… somente as pessoas para quem você está enviando as mensagens poderão lê-las – nem o WhatsApp, Facebook ou qualquer outra pessoa.

No entanto, há outros dados – incluindo contatos e números de celular – que poderão ser enviados para a rede social e outras empresas do grupo, como o Instagram. Isso será usado “para fazer sugestões (por exemplo, de amigos, de contatos ou de conteúdo interessante) e mostrar ofertas e anúncios relevantes”.

No blog oficial, o WhatsApp informa mais detalhes (grifo nosso):

… ao conectar o seu número de telefone com os sistemas do Facebook, você terá melhores sugestões de amizade e anúncios mais relevantes caso você tenha algum tipo de conta com estas empresas. Por exemplo, você poderá ver um anúncio de uma empresa da qual você já tenha utilizado os serviços ao invés de uma que você nunca tenha ouvido falar.

Você poderá desvincular o WhatsApp de sua conta do Facebook

Da próxima vez que você abrir o WhatsApp, aparecerá um aviso de que os termos estão mudando com a opção “Aceitar”. E, assim como apontavam os rumores, haverá uma opção “Compartilhar os dados da minha conta do WhatsApp com o Facebook” que você poderá desativar.

Se você aceitar de primeira e depois quiser mudar isso, basta navegar até Configurações > Conta > Compart. dados da conta.

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Além disso, vale ressaltar que você não precisa de uma conta do Facebook para usar o WhatsApp – ele continua exigindo apenas um número de celular.

A criptografia ponta-a-ponta nas mensagens agora faz parte da política de privacidade

Em abril, o WhatsApp passou a proteger todas as mensagens em todas as plataformas através da criptografia ponta-a-ponta – isso “significa que suas mensagens estão criptografadas para que nós ou terceiros não as possam ler”, diz a nova política de privacidade. Ela é ativada por padrão “quando você e as pessoas com quem troca mensagens estiverem utilizando uma versão de nosso aplicativo que tenha sido lançada após o dia 2 de abril de 2016″.

Você poderá receber mensagens de empresas

No início do ano, o WhatsApp deixou de ser pago – ele cobrava US$ 1 por ano de alguns usuários (nunca foi o meu caso). Em vez disso, ele será rentabilizado através de mensagens enviadas por empresas, e a nova política de privacidade reflete isso.

Daqui em diante, você poderá receber “pedidos, transações, informações de agendamento, além de notificações de envio e entrega, atualizações de produto e serviço e marketing”. Por exemplo, você poderá receber o status do seu próximo voo, o recibo de uma compra, ou uma notificação de entrega de pacote.

O WhatsApp também menciona ofertas para algo que lhe interesse, mas diz que não quer ser um canal de spam: “você poderá escolher como administrar esta comunicação e nós honraremos a sua escolha”.

O WhatsApp será um canal para empresas se comunicarem com você, mas não terá propagandas na interface. “Não autorizamos banners de anúncios de terceiros no WhatsApp. Nós não temos a intenção de mudar isto, mas caso venhamos a fazer, nós iremos atualizar esta política”, diz a política de privacidade.

Adolescentes estão liberados para usar o WhatsApp

Os termos de serviço antigos diziam que o WhatsApp não era projetado “para crianças menores de 16 anos”, e que elas não tinham permissão de usá-lo. Enquanto isso, os novos termos dizem que “é necessário ter pelo menos 13 (treze) anos para usar os nossos serviços” – dependendo do país, é o responsável legal quem precisa aceitar os termos. Na prática, é claro, isso não muda muita coisa: seu sobrinho de dez anos continuará usando o “zap”.

Ficou bem mais difícil para usuários dos EUA ou Canadá processarem o WhatsApp na Justiça

Os termos de serviço do WhatsApp agora incluem uma cláusula vinculante de arbitragem. Isso significa que usuários dos EUA ou Canadá não poderão processar a empresa em um tribunal: “você está renunciando ao seu direito de ter tais controvérsias resolvidas judicialmente”. Também fica proibido a eles participar de ações coletivas contra o WhatsApp.

É possível recusar este acordo de arbitragem: para tanto, você precisa enviar uma carta ao WhatsApp até trinta dias após aceitar os termos de serviço. Nesse caso, será possível abrir processos contra a empresa.

Para usuários em outros países, como o Brasil, a regra continua a mesma: é possível processar o WhatsApp, mas o foro continua sendo “um juiz estadual na Califórnia do Norte ou um juiz estadual localizado no condado de San Mateo, Califórnia”.

Acesse a nova política de privacidade aqui; a versão antiga está neste link. Os termos de serviço novos ficam aqui; e os antigos, aqui.

 

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